Sim, Iron Man finalmente chegou aos cinemas. A animação é incrível, a ação estonteante, mas e o jogo? Bom, o jogo, que é o que interessa para nós aqui, não passa nem perto disso, para a tristeza daqueles que esperavam algo do título. Claro que não vamos dizer que não era esperado, você sabe como é a velha história: Jogos de filmes simplesmente não prestam. Há exceções, mas não aqui.

Você começa a história no triste cativeiro de Tony Stark. Obrigado a se deparar com a realidade daqueles que fabricam armas, lá ele decide se tornar o poderoso Homem de Ferro e partir em sua cruzada heróica. Até aí o jogo se parece bastante com o filme, para abrir mais ainda o arco rumo a buscas genéricas e desafios paralelos mencionando outros clássicos vilões dos quadrinhos, que apenas fãs reconhecerão.

O que mais condena Iron Man, de primeiro encontro, é a apresentação geral. A CG é simplesmente ridícula, a ponto de muitas vezes ser pior do que o gráfico normal do jogo. Das expressões ao modelo totalmente plástico de Tony Stark e seus coadjuvantes, nada se salva nas cenas, a não ser a dublagem de Robert Downey Jr., mas aí já nem falamos mais de visual.

Indo direto ao ponto, a única coisa que impressiona mesmo é o modelo da armadura MK III do Homem de Ferro, totalmente semelhante a do filme, para não dizer o mesmo, caso esteja jogando as versões PlayStation 3 e Xbox 360. A movimentação é suave, os ataques são interessantes e a melhor parte é controlar o super-herói metálico pelas fases totalmente livres, cortando os céus em alta velocidade.

Pena que a ação propriamente dita simplesmente não faz jus e mesmo os belos ataques de Tony Stark não funcionam tão bem assim em seus inimigos, sendo o ápice da podridão os golpes corpo a corpo, nos quais você simplesmente aperta o botão e reza para que ele acerte o inimigo. Os ataques a distância já são melhorezinhos, mas ainda assim não satisfazem o nível de precisão necessário para que o jogo mantenha uma ação interessante e constante.

O que se pode tirar de melhor da ação são as cenas “escriptadas” estilo God of War, acionada quando o botão de agarrar é pressionado em determinados objetos ou inimigos. Ver o Homem de Ferro segurando um míssel com ambas as mãos, ou partindo um tanque de guerra ao meio compensa bastante pela ação nada inspiradora.

De visual totalmente contrastante, Iron Man, como dito antes, é bonito se você olhar apenas a armadura do herói. Os cenários já não são nem razoáveis, com texturas pútridas e sem resolução algumas. O relevo também é totalmente fora do natural, assim como os inimigos, em geral, mal animados, que surgem aos montes e do nada, como formigas atraídas por mel. Nos consoles atuais ele simplesmente parece datado, e no PlayStation 2, bom, no PlayStation 2 também. Sério, não confie nas imagens liberadas.

Caso esteja se perguntando sobre o trabalho de som deste, ele não é tão baixo quanto o tratamento visual, como já evidenciado quando a dublagem de Downey Jr. fora citada. Esta, acima de tudo, e como previsto, se utiliza de arranjos e remixes da obra cinematográfica, e até faz bonito nas ditas cenas chaves do jogo.

Depois de vestir a armadura: Iron Man é um jogo pobre, que compensa mais ficar longe, caso você não seja um fã irredutível dos quadrinhos ou aquele que saiu em frenesi após ver o herói vermelho e dourado explodindo tudo nas telonas. Um jogo de objetivos muito similares e pouca vontade de impressionar, o clássico complemento dos cinemas que transformou o gênero em tabu. A melhor aparição do Homem de Ferro continua sendo a em Captain America and the Avengers, o arcade lançado em 1991. Isso já resume tudo.

Fonte: Gamestart